domingo, 16 de novembro de 2008

Comunidade Virtual





É fundamentalmente um elemento imprescindível no conceito de educação a distância, a comunidade. Por comunidade entende-se um grupo de pessoas que se juntam em torno de interesses e necessidades especiais. Comunidade e colaboração relacionam-se de forma estreita, e evidenciam-se em turmas onde os estudantes participam activamente, partilhando tanto ideias pessoais como académicas, colaborando uns com os outros. Podem desenvolver-se, mesmo em cursos com apenas algumas semanas de duração.
Formam-se através de fóruns de discussão, “chat”, correio electrónico, ou alguma forma de combinação de métodos de comunicação. Rovai (2002b) define comunidade em ambientes on-line como:

consistindo de dois componentes: sentimentos de ligação entre membros da comunidade e comunhão de expectativas de aprendizagem e objectivos … A comunidade em sala de aula é mais forte quando os alunos (a) se sentem ligados uns aos outros e ao instrutor, (b) manifestam os comportamentos de comunicação imediatos que reduzem a distância social e psicológica entre as pessoas, (c) partilham interesses e valores comuns, (d) confiam e ajudam-se mutuamente, (e) se dedicam activamente em comunicações nos dois sentidos e (f) lutam por objectivos de aprendizagem comuns. (p. 322)

Palloff e Pratt (1999) sugerem que os estudantes para terem sucesso escolar precisam de uma comunidade que inclua contacto social, bem como intelectual e académico. Identificam seis elementos chave para a criação de uma comunidade de aprendizagem: honestidade, receptividade e cooperação, relevância, respeito, abertura e capacitação.
A comunidade é importante, porquê?
Porque numa comunidade os estudantes são: participantes activos que estão claramente envolvidos no seu processo de aprendizagem; são mais autónomos; as interacções de grupo aumentam exponencialmente; o ensino e a aprendizagem são mais colaborativos e o acesso ao professor torna-se directo e igualitário. Ou seja, todas estas condições são fundamentais para que a construção do conhecimento seja feita com significado. Sem as comunidades os cursos à distância podem tornar-se numa mera transmissão de conhecimentos.


Bibliografia Utilizada:


R. Wallace (2003) -Aprendizagem Online na Educação Superior: uma Revisão da Investigação sobre as Interacções entre Professores e Estudantes.

Distância transaccional


Consiste num modelo teórico desenvolvido por investigadores com o objectivo de estudar a participação e envolvimento dos estudantes em cursos de educação à distância. Moore em 1980 definiu distância transaccional como função do diálogo e da estrutura, isto é, uma distância transaccional mais pequena era sinal de maior envolvimento dos estudantes, enquanto que, mais estrutura era reflexo de mais distância. Mais tarde, Moore e Kearsley (1996) incluíram nesta perspectiva um terceiro factor, a autonomia do estudante, ou seja o nível de controlo do estudante sobre o seu processo de ensino (planeamento, execução, e evolução do trabalho).
Garrison e Baynton defendem que estes três factores estão interligados de uma maneira complexa e que aumentos de estrutura não significariam obrigatoriamente perda de autonomia.
Concluiu-se afinal que, os estudantes desenvolvem conhecimentos mais significativos quando existe interactividade, ou seja, que o envolvimento, a troca de conhecimentos, é um elemento fundamental para a construção de conhecimento.
Perseguindo o objectivo de localizar e estudar a distância transaccional, Moore (1989) sugeriu três tipos de interacção.
“A interacção aluno - conteúdo, tem a ver com o processo de interacção intelectual, com o conteúdo, de que resultam mudanças na compreensão do aluno. A interacção aluno/instrutor, reporta-se ao diálogo que existe entre o instrutor e o aluno, em que o instrutor facilita e orienta os alunos na construção do seu conhecimento motivando-os para a exploração dos conteúdos. A interacção aluno/alunos fomenta o diálogo dos alunos com os colegas, para análise, crítica, partilha e reanálise das ideias e das experiências, pressupondo uma aprendizagem construtivista.”2
Mais tarde Hilman acrescentou um quarto tipo de interacção, interacção aluno – interface, tem a ver com a adaptação do aluno ao software e a forma como este o domina. Todas estas variáveis são naturalmente importantes e influenciam a forma como a distância é vivida, bem como, a maneira que o conhecimento é transaccionado.
Vários estudos foram desenvolvidos dentro desta área no sentido de se perceber como é que os estudantes constroem o conhecimento num ambiente à distância.
Swan (2001) concluiu que existem três factores que contribuem significativamente para o sucesso do curso à distância, uma estrutura clara e consistente, um professor que interage com frequência e construtivamente com os estudantes (interacção instrutor – aluno) e uma discussão com valor e dinâmica (interacção aluno – aluno).
A distância transaccional deve ser “pequena” para que os estudantes consigam atingir objectivos pertinentes de aprendizagem. Nos cursos a distância o aluno está fisicamente e temporalmente separado do professor, por isso, é necessário uma logística maior e um cuidado especial de modo a que as dificuldades que a distância acarreta sejam ultrapassadas.

Bibliografia Utilizada:

1 - R. Wallace (2003) -Aprendizagem Online na Educação Superior: uma Revisão da Investigação sobre as Interacções entre Professores e Estudantes.